Livro 7 A Cidade de Deus - Santo Agostinho

Capítulo 25: A interpretação da mutilação de Átis, conforme estabelecida pela doutrina dos sábios gregos.

1234567891011121314151617181920212223242526272829303132333435
← Anterior Próximo →

Varrão não falou desse Átis, nem buscou qualquer interpretação para ele, em cuja memória o Galo foi mutilado por ter sido amado por Ceres. Mas os gregos sábios e eruditos não se calaram diante de uma interpretação tão sagrada e ilustre. O célebre filósofo Porfírio disse que Átis simboliza as flores da primavera, a estação mais bela, e que, portanto, foi mutilado porque a flor cai antes que o fruto apareça. Eles não compararam, então, o próprio homem, ou melhor, aquela aparência de homem que chamavam de Átis, à flor, mas sim seus órgãos genitais masculinos — estes, de fato, caíram enquanto ele vivia. Eu disse caíram? Não, na verdade, eles não caíram, nem foram arrancados, mas sim dilacerados. E quando essa flor se perdeu, nenhum fruto surgiu, mas sim a esterilidade. O que, então, dizem eles, é simbolizado pelo próprio Átis castrado, e pelo que restou dele após a castração? A que se referem? Que interpretação isso suscita? Será que, após vãs tentativas de encontrar uma interpretação, procuram persuadir os homens de que se deve acreditar no relato que foi divulgado e que também foi escrito a respeito de ele ter sido um homem mutilado? Nosso Varrão, com muita propriedade, opôs-se a isso e não quis afirmar tal coisa; pois certamente não era desconhecido para aquele homem tão erudito.

← Voltar ao índice